Destino de pilhas e baterias

Este é um trabalho desenvolvido e gentilmente cedido ao nosso site por:

ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE ENGENHEIROS E ARQUITETOS DA REGIÃO DE TUBARÃO/SC
AREA-TB
Departamento de Meio Ambiente
Engº Rogério Bardini
bardini.com@uol.com.b
*Trabalho original em Power Point

Produção de Lixo no Brasil

Segundo o IBGE são produzidas diariamente 200 mil ton. de lixo no Brasil. Tomando-se por base o seguinte:

Cidade pequena: 500 g/hab
Cidade média: 700 g/hab
Cidade grande: 1 kg/hab

Classificação dos Resíduos (CONAMA - Cons. Nacional do Meio Ambiente)

CLASSE 1 - Resíduos Perigosos: são os que apresentam periculosidade ou uma das seguintes características - inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidade ou patogenicidade.

CLASSE 2 - Resíduos Não Inertes: são os que podem ter propriedades tais como combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. Os resíduos domésticos são assim classificados.

CLASSE 3 - Resíduos Inertes: são aqueles que submetidos a um contato estático ou dinâmico com a água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, não têm nenhum de seus componentes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água.

Destino Final dos Resíduos Sólidos

Disposição a céu aberto (LIXÃO)

96% dessas 200.000 ton. de resíduos domésticos são lançadas diariamente no meio ambiente sem nenhum cuidado especial, ou seja, terão seu destino final em algum lixão. Isto acontece em 60% das cidades do país.
A maioria dos municípios do Brasil possui áreas comprometidas por causa dessa prática. Sem nenhum controle sanitário ou ambiental o lixo acarreta graves problemas de saúde pública, relacionados com a proliferação de vetores de doenças.

Segundo o Laboratório de Engª Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Viçosa (UFV) de Minas Gerais, a má gestão destes resíduos é responsável por 65% das doenças no Brasil.

 

Aterro Sanitário (Resíduos de Classe II)

O chamado aterro simples, a curto prazo, é o mais barato. Já o aterro sanitário, acompanhado do tratamento e reciclagem, é uma das mais corretas e lucrativas formas de se resolver o problema. Exige tratamento do chorume e monitoramento permanente.

Aterro Industrial (Resíduos de Classe I)

- Maior exigência de controle ambiental
- Capas impermeabilizantes mais fortes e seguras
- Compartimentalização e dreno sentinela
- Não pode emanar gases nem produzir chorume
- Drenagem superficial da água


Resíduos Considerados Perigosos - Classe I

- Baterias de veículos
- Embalagens de produtos tóxicos , corrosivos, inflamáveis e venenosos
- Lâmpadas fluorescentes
- Lixo de banheiro
- Lixo hospitalar, odontológico, veterinário, farmacêutico, curativos e similares
- Material radioativo
- Restos de remédios: vencidos ou não
- Pilhas e baterias

Pilhas e Baterias de Celulares

Aplicação das Pilhas

Comuns:

...Alcalinas:

Enquanto as baterias de celulares são compradas somente na rede autorizada, as pilhas podem ser compradas tanto de camelôs quanto de grandes redes de lojas. As pessoas compram pilhas para rádios, controles remotos, jogos, lanternas e simplesmente jogam no lixo, queimam, lançam em rios ou em terrenos baldios. Não têm informação de que se trata de lixo químico doméstico altamente perigoso. Crianças manuseiam pilhas oxidadas, pilhas velhas são guardadas em dispensas junto com alimentos e remédios. Agricultores compram adubo orgânico e não imaginam que ele possa estar contaminado por metais pesados das pilhas e de baterias de celular.

Aparência inocente, mas muito perigosas!
Apesar da aparência inocente e do seu tamanho, as pilhas e baterias são hoje um grave problema ambiental. No Brasil são produzidas anualmente, segundo a Assoc. Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), cerca de 800 milhões de pilhas, entre as chamadas secas (zinco-carbono) e alcalinas. Se constituem num veneno lançado no meio ambiente diariamente por milhões de pessoas.
Uma pilha comum contém, geralmente, três metais pesados: zinco, chumbo e manganês, além de substâncias perigosas como o cádmio, o cloreto de amônia e o negro de acetileno. A pilha de tipo alcalina contém também o mercúrio, uma das substâncias mais tóxicas que se conhece.
O perigo ocorre quando se joga uma pilha ou bateria no lixo comum, pois há o risco dessas substâncias e metais pesados entrarem na cadeia alimentar humana, causando sérios danos à saúde.

 

Metais Pesados Contidos nas Pilhas e Baterias de Celulares

- Mercúrio
- Cádmio
- Chumbo
- Lítio
- Níquel
- Zinco
- Cobalto e compostos
- Bióxido de Manganês

 

Tempo de Degradação

Pilhas: de 100 a 500 anos

Metais Pesados: infinito.


Efeitos dos metais pesados
:

Mercúrio ...
Distúrbios renais e neurológicos (irritabilidade, timidez e problema de memória), mutações genéticas, e alterações no metabolismo e deficiências nos órgãos sensoriais (tremores, distorções da visão e da audição).

Cádmio ...
Agente cancerígeno, teratogênico e pode causar danos ao sistema nervoso.
Se acumula, principalmente, nos rins, fígado e nos ossos; provoca dores reumáticas e miálgicas, distúrbios metabólicos que levam à osteoporose, disfunção renal e câncer

Chumbo ...
Gera perda de memória, dor de cabeça, irritabilidade, tremores musculares, lentidão de raciocínio, alucinação, anemia, depressão, insônia, paralisia, salivação, náuseas, vômitos, cólicas, perda do tônus muscular, atrofia e perturbações visuais, e hiperatividade.

Lítio: afeta o sistema nervoso central, gerando visão turva, ruídos nos ouvidos, vertigens, debilidade e tremores;

Níquel: provoca dermatites, distúrbios respiratórios, gengivites, sabor metálico, “sarna de níquel”, efeitos carcinogênicos, cirrose e insuficiência renal;

Zinco: provoca vômitos e diarréias;

Cobalto e seus compostos: existentes na bateria de lítio, causam a “sarna do cobalto”, além de conjuntivite, bronquite e asma.

Bióxido de manganês: usado nas pilhas alcalinas, provoca anemia, dores abdominais, vômitos, crises nervosas, dores de cabeça, seborréia, impotência, tremor nas mãos, perturbação emocional.


Por que as pilhas e baterias não devem ir para aterros?


Em função do que foi apresentado, conclui-se que as pilhas e baterias, quando esgotadas seu potencial energético, tornam-se resíduos perigosos, e como tal deveriam ser encaminhadas para a reciclagem ou para um aterro industrial.
Como os metais pesados entram na cadeias alimentares e terminam acumuladas nos organismos das pessoas, produzindo vários tipos de contaminação, não deveriam ir para aterros sanitários ou compostagem e, muito menos, para os lixões. Nos aterros, expostas ao sol e à chuva, as pilhas se oxidam e se rompem; os metais pesados atingem os lençóis freáticos, córregos e riachos. Entram nas cadeias alimentares através da ingestão da água ou de produtos agrícolas irrigados com água contaminada.
Nas usinas de compostagem, a maior parte das pilhas é triturada junto com o lixo doméstico e o composto gira nos biodigestores liberando os metais pesados. O adubo resultante contamina o solo agrícola e até o leite das vacas que pastam em áreas que recebem adubação.

A legislação contempla o lobby do setor produtivo!


Nossas leis federais e estaduais estabelecem o princípio do poluidor-pagador, ou seja, quem gera o problema é também responsável por sua solução.

No entanto, a resolução 257/99 do CONAMA é pouco restritiva e permite a irresponsabilidade de se jogar pilhas em aterros e contemplou o lobby do setor produtivo, permitindo até 0,010% em peso de mercúrio, 0,015 em peso de cádmio e 0,200% em peso de chumbo, para as pilhas comuns.
Segundo a resolução, fica proibido lançar estes resíduos “in natura” a céu aberto; em corpos d’água, praias, manguezais, terrenos baldios, poços, cavidades subterrâneas, redes de drenagem de águas pluviais, esgotos, eletricidade ou telefone, além de queimá-los a céu aberto ou em recipientes não adequados (art. 8º).
Entretanto, o art. 13º permite que se joguem as pilhas e baterias que atenderem aos limites previstos no art. 6º junto ao lixo doméstico, em aterros sanitários licenciados.
A resolução não considera que 60% dos municípios do país não têm aterro sanitário e que 96% dos resíduos produzidos diariamente vão para o meio ambiente sem nenhum cuidado.

Simbologia usada nas embalagens
Conforme Resolução do CONAMA 257/99, “podem” ser descartadas no lixo doméstico

Não podem ser descartadas no lixo doméstico

O que fazer com as pilhas e baterias? (Continua...)